quarta-feira, 20 de junho de 2012

Estudo de Caso em Psiquiatria


Introdução

                Esse estudo de caso possibilita a construção dos conhecimentos abordados na disciplina de Psiquiatria. A junção da teoria com a prática fomenta uma melhor compreensão das teorias e técnicas que o profissional de enfermagem utiliza como ferramenta no processo profissional.


 Identificação do cliente

SSN, masculino, 42 anos e 8 meses, branco, natural de Tabira - PE,  solteiro, ensino fundamental incompleto, agricultor, católico, não há antecedentes familiares com caso de doença mental (SIC). 


Descrição do Grupo Familiar

Família com nível socioeconômico baixo, estruturalmente equilibrada onde os papéis familiares são executados com coerência (SIC), nível educacional baixo encaixando-se com o nível fundamental incompleto ou abaixo disso. 


História Clinica do Cliente

No momento da admissão o paciente encontrava-se em surto psicótico, esse primeiro momento ocorreu em 2004. A mãe e familiares relataram que o cliente apresentava-se em casa muito agressivo, chegando a agredir a mãe dizendo “eles estão roubando seus pensamentos”. O cliente também relatou que sente medo e perseguição dizendo “vivo pensando em almas e elas querem interditar, agora estou ficando sem juízo e por isso dou risadas”. 

Diagnostico do Cliente

O paciente SSN sofre de esquizofrenia. Esse transtorno está classificado entre as psicoses, caracterizado por uma desorganização nos processos mentais. É um quadro complexo, apresentando sinais e sintomas nas áreas de percepção, pensamento e emoção. Em reação a isso, os pacientes sofrem prejuízos ocupacionais, tornando a vida social e familiar na maioria dos casos difícil.
Por séculos, essa doença foi correlacionada à espiritualidade, encaixando os portadores no perfil de pessoas endemoniadas como também foi motivo de espetáculo para muitos. Hoje vivemos outra realidade, ao passo que a doença é mais compreendida por muitos, novas barreiras nos alcançam. A aceitação do esquizofrênico na escola, trabalho, sociedade em geral é de grande dificuldade. Há a compreensão patológica, mas não há o entendimento que o portador pode exercer tarefas diárias como outro cidadão não portador desse transtorno.
O tipo de esquizofrenia do paciente estudado é paranóide, onde é bem típica a alucinação de perseguição. O inicio tende a ser mais tardio que nos outros tipos, costuma apresentar sintomas de agressividade em momentos de raiva e crise. Ao conversar com SSN, percebi que ele ressaltava o sentimento de medo e relatou que chegou ali por conta das perseguições que sofria, onde pessoas e almas tentavam bater e matar ele e a família. Notei a falta de coerência ao conversar, onde ele fugia rapidamente de um assunto para outro, criando lacunas no processo de fala e em muitas vezes expressava assuntos fantasiosos, constituindo assim sintomas clássicos da esquizofrenia. 

Evolução do Cliente

                O paciente foi admitido no Hospital Psiquiátrico desde o ano de 2004, a família relatou várias crises e momentos de muita agressividade, chegando a agredir a mãe. Recebeu alta em momentos diferentes, mas sempre se recusou a ir para acompanhamento ambulatorial e tomar regularmente os medicamentos. Entrando assim em crise e retornando ao regime de internato do Hospital.
                O comportamento atual do senhor SSN, apresenta-se calmo e orientado. Ao falar nota-se lacunas na coerência no processo de fala. O cliente relata que quando criança via um vizinho e sua mãe tendo relações sexuais com ele, o que cria um desconforto no mesmo. Nota-se uma repulsa pelo sexo, pelo relacionamento homem-mulher e uma baixa da libido.
                O paciente faz uso de Haldol três vezes ao dia, um neuroléptico do grupo das butirofenonas, indicado para os transtornos do afeto, pensamento e comportamento. Faz uso também de Fenergan duas vezes ao dia, indicado para reações anafiláticas e alérgicas. Este é usado em associação a antipsicóticos, evitando que o paciente fique impregnado. Carbolitium de 300, duas vezes ao dia, utilizado no tratamento da fase maníaca da psicose, profilaxia de mania decorrente, prevenção de fase depressiva e tratamento de hiperatividade psicomotora. O cliente também faz uso de Neozine de 100, duas vezes ao dia, que tem ação neuroléptica, sedativa e antiálgica.
                O paciente faz terapias em grupo como jogos, brincadeiras e artesanato. Possibilitando o convívio em grupo e a relação social. Passa pela avaliação do enfermeiro e do psicólogo, possibilitando intervenções necessárias de cada área. 

Relacionamento Com o Cliente

Para estabelecer comunicação com o cliente não houve dificuldade, apresentou-se muito comunicativo e uma sede imensa de falar e de se comunicar. Ampliando a compreensão de comunicação não somente pela fala, o corpo do paciente apresenta-se calmo, apenas uma leve agitação psicomotora em seu braço direito. Percebi que ele entrava em um assunto, mas logo fugia pra outro, criando lacunas no conteúdo. Mesmo após encerrar a conversa com ele, o mesmo hora ou outra me procurava pra conversar mais. Chegou a me pedir pra organizar os dormitórios, pra separar jovens de homens de mais idade, relatando que os jovens não deixam dormir a noite. Relatou ter tirado a roupa em um almoço ficando nu na frente de todos, demonstrando bastante vergonha do episódio, nesse momento apresentou um aumento de agitação psicomotora. Expressou que não imagina como um homem faz sexo com uma mulher, que isso hoje em dia não existe mais, e que a internet está tomando de conta do mundo, onde as pessoas deixam de ir atrás de mulheres e ficam se masturbando pela internet. Percebi um bom convívio social, pela amizade e forma de conversar com os amigos. 

Experiência Pessoal

                Logo de inicio ao chegar ao Hospital, tive um susto. Em sala de aula pude aprender os sinais e sintomas das doenças, mas quando passei a vivenciar a realidade desses foi um choque. No mundo dos esquizofrênicos há uma quebra da realidade, e em nós não portadores não existe essa quebra. Sendo esse um fato precipitante para o impacto a principio. Doença do latim significa padecimento, ou seja, sofrer, padecer. Com o meu paciente pode perceber o quão é sofrido ser portador dessa psicose. E esse mal respinga na família que vive essa realidade em casa. E nesse momento entra em ação a enfermagem, possibilitando a redução desses efeitos com base na humanização. Ao fazer a entrevista com SSN, fiquei observando cada movimento e tudo que ele falava. E ali pude fazer uma ligação com os conteúdos teóricos. 

Plano de Ação de Enfermagem

Diagnóstico
Ações/Intervenções
Resultados Esperados
Privação do sono, relacionado ao ambiente que o paciente dorme é desconfortável, caracterizado por ansiedade e irritabilidade.

Determinar a existência de fatores de estresse, determinar o diagnóstico médico que interferem no sono e avaliar a utilização de medicação que afetam o sono.
Identificará as intervenções apropriadas ao seu caso para promover o sono e dirá que houve uma melhora do padrão de sono e repouso.
Conhecimento deficiente, relacionado a interpretação errônea das informações, caracterizado por interpretação incorreta das instruções.
Determinar o nível conhecimento, determinar a capacidade de o cliente aprender, identificar as pessoas que podem dar apoio e os familiares que precisam de informações.
Participará do processo de aprendizagem, verbalizará que entende a condição/doença e seu tratamento, iniciará mudanças no estilo de vida e participará do esquema terapêutico.
Medo, relacionado a resposta adquirida, caracterizado por identificar o objeto do medo, o estímulo parece ser uma ameaça.
Determinar a percepção do cliente ao que está acontecendo e como isso afeta sua vida, avaliar o grau de incapacidade, estar atendo aos sinais de negação/depressão.
Reconhecerá e conversará sobre os seus medos, verbalizará conhecimentos exatos/sensação de segurança relacionada com a situação atual, demonstrará compreensão por meio da adoção de comportamentos eficazes de enfrentamento.



Conclusão

Ao concluir esse estudo de caso fica a maior compreensão sobre a Enfermagem em Psiquiatria, a importância desse profissional nesses setores. Pude também compreender que em cada paciente os sinais e sintomas são bem característicos, por mais que sejam diagnósticos com a mesma psicopatologia. Cada cliente é um mundo, onde o enfermeiro deve entrar e avaliar o que precisa ser feito. Nota-se também o papel de educador, que é fundamental na Psiquiatria. Correlacionar a teoria com a pratica pude estruturar mais o conhecimento nessa cadeira. 







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