Introdução
Esse
estudo de caso possibilita a construção dos conhecimentos abordados na
disciplina de Psiquiatria. A junção da teoria com a prática fomenta uma melhor
compreensão das teorias e técnicas que o profissional de enfermagem utiliza
como ferramenta no processo profissional.
Identificação do cliente
SSN, masculino, 42 anos e 8 meses,
branco, natural de Tabira - PE,
solteiro, ensino fundamental incompleto, agricultor, católico, não há
antecedentes familiares com caso de doença mental (SIC).
Descrição do Grupo Familiar
Família com
nível socioeconômico baixo, estruturalmente equilibrada onde os papéis
familiares são executados com coerência (SIC), nível educacional baixo
encaixando-se com o nível fundamental incompleto ou abaixo disso.
História Clinica do Cliente
No momento da
admissão o paciente encontrava-se em surto psicótico, esse primeiro momento
ocorreu em 2004. A mãe e familiares relataram que o cliente apresentava-se em
casa muito agressivo, chegando a agredir a mãe dizendo “eles estão roubando
seus pensamentos”. O cliente também relatou que sente medo e perseguição
dizendo “vivo pensando em almas e elas querem interditar, agora estou ficando
sem juízo e por isso dou risadas”.
Diagnostico do Cliente
O paciente SSN
sofre de esquizofrenia. Esse transtorno está classificado entre as psicoses,
caracterizado por uma desorganização nos processos mentais. É um quadro
complexo, apresentando sinais e sintomas nas áreas de percepção, pensamento e
emoção. Em reação a isso, os pacientes sofrem prejuízos ocupacionais, tornando
a vida social e familiar na maioria dos casos difícil.
Por séculos,
essa doença foi correlacionada à espiritualidade, encaixando os portadores no
perfil de pessoas endemoniadas como também foi motivo de espetáculo para
muitos. Hoje vivemos outra realidade, ao passo que a doença é mais compreendida
por muitos, novas barreiras nos alcançam. A aceitação do esquizofrênico na
escola, trabalho, sociedade em geral é de grande dificuldade. Há a compreensão
patológica, mas não há o entendimento que o portador pode exercer tarefas
diárias como outro cidadão não portador desse transtorno.
O tipo de
esquizofrenia do paciente estudado é paranóide, onde é bem típica a alucinação
de perseguição. O inicio tende a ser mais tardio que nos outros tipos, costuma
apresentar sintomas de agressividade em momentos de raiva e crise. Ao conversar
com SSN, percebi que ele ressaltava o sentimento de medo e relatou que chegou
ali por conta das perseguições que sofria, onde pessoas e almas tentavam bater
e matar ele e a família. Notei a falta de coerência ao conversar, onde ele fugia
rapidamente de um assunto para outro, criando lacunas no processo de fala e em
muitas vezes expressava assuntos fantasiosos, constituindo assim sintomas
clássicos da esquizofrenia.
Evolução do Cliente
O
paciente foi admitido no Hospital Psiquiátrico desde o ano de 2004, a família
relatou várias crises e momentos de muita agressividade, chegando a agredir a
mãe. Recebeu alta em momentos diferentes, mas sempre se recusou a ir para
acompanhamento ambulatorial e tomar regularmente os medicamentos. Entrando
assim em crise e retornando ao regime de internato do Hospital.
O
comportamento atual do senhor SSN, apresenta-se calmo e orientado. Ao falar
nota-se lacunas na coerência no processo de fala. O cliente relata que quando
criança via um vizinho e sua mãe tendo relações sexuais com ele, o que cria um
desconforto no mesmo. Nota-se uma repulsa pelo sexo, pelo relacionamento
homem-mulher e uma baixa da libido.
O
paciente faz uso de Haldol três vezes ao dia, um neuroléptico do grupo das
butirofenonas, indicado para os transtornos do afeto, pensamento e
comportamento. Faz uso também de Fenergan duas vezes ao dia, indicado para
reações anafiláticas e alérgicas. Este é usado em associação a antipsicóticos,
evitando que o paciente fique impregnado. Carbolitium de 300, duas vezes ao
dia, utilizado no tratamento da fase maníaca da psicose, profilaxia de mania
decorrente, prevenção de fase depressiva e tratamento de hiperatividade
psicomotora. O cliente também faz uso de Neozine de 100, duas vezes ao dia, que
tem ação neuroléptica, sedativa e antiálgica.
O
paciente faz terapias em grupo como jogos, brincadeiras e artesanato.
Possibilitando o convívio em grupo e a relação social. Passa pela avaliação do
enfermeiro e do psicólogo, possibilitando intervenções necessárias de cada
área.
Relacionamento Com o Cliente
Para
estabelecer comunicação com o cliente não houve dificuldade, apresentou-se
muito comunicativo e uma sede imensa de falar e de se comunicar. Ampliando a
compreensão de comunicação não somente pela fala, o corpo do paciente apresenta-se
calmo, apenas uma leve agitação psicomotora em seu braço direito. Percebi que
ele entrava em um assunto, mas logo fugia pra outro, criando lacunas no
conteúdo. Mesmo após encerrar a conversa com ele, o mesmo hora ou outra me
procurava pra conversar mais. Chegou a me pedir pra organizar os dormitórios,
pra separar jovens de homens de mais idade, relatando que os jovens não deixam
dormir a noite. Relatou ter tirado a roupa em um almoço ficando nu na frente de
todos, demonstrando bastante vergonha do episódio, nesse momento apresentou um
aumento de agitação psicomotora. Expressou que não imagina como um homem faz
sexo com uma mulher, que isso hoje em dia não existe mais, e que a internet
está tomando de conta do mundo, onde as pessoas deixam de ir atrás de mulheres
e ficam se masturbando pela internet. Percebi um bom convívio social, pela
amizade e forma de conversar com os amigos.
Experiência Pessoal
Logo
de inicio ao chegar ao Hospital, tive um susto. Em sala de aula pude aprender
os sinais e sintomas das doenças, mas quando passei a vivenciar a realidade
desses foi um choque. No mundo dos esquizofrênicos há uma quebra da realidade,
e em nós não portadores não existe essa quebra. Sendo esse um fato precipitante
para o impacto a principio. Doença do latim significa padecimento, ou seja,
sofrer, padecer. Com o meu paciente pode perceber o quão é sofrido ser portador
dessa psicose. E esse mal respinga na família que vive essa realidade em casa. E
nesse momento entra em ação a enfermagem, possibilitando a redução desses
efeitos com base na humanização. Ao fazer a entrevista com SSN, fiquei
observando cada movimento e tudo que ele falava. E ali pude fazer uma ligação
com os conteúdos teóricos.
Plano de Ação de Enfermagem
Diagnóstico
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Ações/Intervenções
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Resultados
Esperados
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Privação do sono, relacionado ao ambiente que o
paciente dorme é desconfortável, caracterizado por ansiedade e
irritabilidade.
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Determinar a existência de fatores de estresse,
determinar o diagnóstico médico que interferem no sono e avaliar a utilização
de medicação que afetam o sono.
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Identificará as intervenções apropriadas ao seu
caso para promover o sono e dirá que houve uma melhora do padrão de sono e
repouso.
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Conhecimento deficiente, relacionado a
interpretação errônea das informações, caracterizado por interpretação
incorreta das instruções.
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Determinar o nível conhecimento, determinar a
capacidade de o cliente aprender, identificar as pessoas que podem dar apoio
e os familiares que precisam de informações.
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Participará do processo de aprendizagem,
verbalizará que entende a condição/doença e seu tratamento, iniciará mudanças
no estilo de vida e participará do esquema terapêutico.
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Medo, relacionado a resposta adquirida,
caracterizado por identificar o objeto do medo, o estímulo parece ser uma
ameaça.
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Determinar a percepção do cliente ao que está
acontecendo e como isso afeta sua vida, avaliar o grau de incapacidade, estar
atendo aos sinais de negação/depressão.
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Reconhecerá e conversará sobre os seus medos,
verbalizará conhecimentos exatos/sensação de segurança relacionada com a
situação atual, demonstrará compreensão por meio da adoção de comportamentos
eficazes de enfrentamento.
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Conclusão
Ao concluir
esse estudo de caso fica a maior compreensão sobre a Enfermagem em Psiquiatria,
a importância desse profissional nesses setores. Pude também compreender que em
cada paciente os sinais e sintomas são bem característicos, por mais que sejam
diagnósticos com a mesma psicopatologia. Cada cliente é um mundo, onde o
enfermeiro deve entrar e avaliar o que precisa ser feito. Nota-se também o
papel de educador, que é fundamental na Psiquiatria. Correlacionar a teoria com
a pratica pude estruturar mais o conhecimento nessa cadeira.
